quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Saudade, só existe no português!

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido as aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando o MC Donald's, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que he cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela esta mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...


(Miguel Falabella)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Fora da Caixinha

Eu quero amar a Deus fora da caixinha.


Fora da caixinha instituição. Fora da caixinha teórica. Fora da caixinha de achismos, quilômetros fora da caixinha legalista.


Se as pessoas o fazem no domingo eu quero começar a me arrepender na sexta e na segunda conseguir tirar meu extrato do banco e agradecer, sincera, por não ser escrava do dinheiro. Ainda na quarta-feira vou acordar com o frescor da misericórdia pulsando no céu da boca. E no sábado, na esquina da frustração, vou dar meia volta, pular o meio fio e cair de joelhos na frente de um trono onde eu encontro curativo, abraço, e graça, em tempo oportuno… seja esse tempo outono, verão, segunda ou sábado.


Se todo mundo faz questão de divulgar / RT suas boas obras pra receber a recompensa terrena da admiração dos homens, eu quero fazer escondida, pra só Deus ver. Pra então só Ele me recompensar, do jeito dEle, quando Ele quiser. Porque bons amigos mantém segredos.


Eu quero viver o amor de Deus fora da caixinha.

Se todo mundo ainda encara os cultos na igreja como um ritual, ou pior que isso, como um encontro social, eu quero andar como quem sabe que o véu foi rasgado e ir adorar a Deus com o meu melhor sorriso, celebrar a salvação, encher a boca do pão da Palavra e confessar de boca cheia que não tenho feito o suficiente para que meus irmãos não morram tanto de desnutrição. A pior desnutrição. A de amor.


Quero ser hoje melhor que ontem, melhor pra Deus e não melhor que meu irmão. Quero deixar o Espírito Santo me tornar sensível a ponto de enxergar a necessidade do meu próximo, e ajudá-lo ainda que ele não seja meu amigo íntimo.


Quando eu sentir vontade de chorar, além de deixar as lágrimas saírem sem culpa, também o farei com minhas palavras, sabendo que o meu Deus me entende, porque em Jesus Ele não veio ser crente. Veio ser humano.


A inspiração do Espírito vai tocar os meus cabelos junto com o vento, na fila do super mercado. Eu vou pegar uma caneta na bolsa e, mesmo sem entender tudo, vou anotar as palavras até então desconexas, no meu bloquinho amarelo. Junto com o troco vou sentir vontade de entregar pra atendente de caixa a minha anotação no papelzinho amarelo. Quando eu puxar o papel e ele se soltar da espiral, uma mágoa também vai se desprender de uma vez do coração da moça e naquela noite ela vai dormir sabendo que Jesus, criativo que só, ainda quer usar os tijolos pesados do seu passado, como degrau pra ela chegar mais rápido perto dEle.


No fim do dia, vou respirar fundo debaixo do chuveiro e sorrir. Vou sentir cada bolha no meu pé e dar uma gargalhada leve como inocência de criança. Vou deixar a água escorrer e fazer graça da casca graciosa que meu Pai emprestou pra alma morar. A condenação está indo pelo ralo e nos meus pulmões está entrando a alegria. Aquela que começa a nascer devagarzinho e cresce como um tornado. Aquela que só acontece quando consideramos a suficiência de Cristo.


Eu quero amar a Deus fora da caixinha e caminhar como quem acredita que Ele jamais, JAMAIS caberia ou se manifestaria de verdade dentro de caixas com dimensões programadas por alguém falível e pequeno como eu. Eu quero amar a Deus.


“Deus purificará a nossa consciência de obras mortas, pra servirmos ao Deus vivo!” Hb 9:14b


http://www.naomordamaca.com/

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Hoje

"Nós nos convencemos de que a vida será melhor
depois que nos casarmos,
tivermos um filho, então outro.
Então ficamos frustrados porque as crianças
não são maduras o suficiente,
e que ficaremos mais contentes quando o forem.
Depois nos frustramos porque temos adolescentes para lidar.
Certamente, seremos felizes quando eles ultrapassarem esse estágio.
Nós dizemos que nossa vida será completa
quando nosso companheiro(a)
estiver no mesmo nível que o nosso, quando tivermos um carro melhor,
formos capazes de viajar aos melhores lugares em férias,
quando nos aposentarmos.
A verdade é que não há tempo melhor do que agora.
Então porque não agora? Sua vida será sempre preenchida por desafios.
É melhor admitir isso para você mesmo e ser feliz de qualquer jeito.
Uma das minhas citações favoritas vem de Alfred. D. Souza.
Ele disse :"Por um longo tempo, pareceu-me que a vida
estava prestes a começar a vida real.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho,
alguma coisa para superar primeiro,
algum negócio não acabado, tempo a ser dedicado a algo, dívidas a serem pagas.
Então a vida começaria.
Finalmente percebi que esses obstáculos eram a minha vida."
Essa perspectiva me ajudou a ver que não há caminho para a felicidade.
A felicidade é o caminho.
Então, valorize cada momento que você tem .
E valorize mais porque você o dividiu com alguém especial,
especial o suficiente para "desperdiçar" seu tempo...
...e lembre-se de que o tempo não espera por ninguém.
Então pare de esperar até que você termine a escola,
até que você volte para a escola, até que você perca dez reais,
até que você ganhe dez reais,
até que você tenha filhos, até que os filhos saiam de casa,
até que você se aposente,
até que você se case, até que você se divorcie,
até sexta feira à noite, até domingo de manhã,
até que você compre um carro ou uma casa nova,
até que o seu carro ou casa esteja pago,
até a primavera, até o verão, até outono, até o inverno,
até o primeiro ou décimo-quinto, até que sua música venha,
até que você tome um drinque, até que você fique sóbrio,
até que você morra, até que você nasça novamente para então decidir que
não há melhor tempo do que agora para a felicidade.
FELICIDADE É UMA JORNADA, NÃO UM DESTINO!