quinta-feira, 29 de março de 2012

Os 7 caminhos

Ela caminhava. Sempre teve os passos curtos, precisos, serenos. "Pra onde vamos hoje?", diziam seus pés. "Adiante, onde está batendo o coração", respondia então a razão. A resposta já era uma velha conhecida, não abandonava a dona, que insistia.
Insistia mesmo quando não conhecia o caminho, mesmo quando seus joelhos eram violetas das batidas do percurso, sorria. Celebrava a vida, a via, o rumo. Os estranhos, as surpresas, as despedidas, os enganos.
Ouvia a voz de uma velha conhecida, que a guiava. A mesma voz que a acompanhava desde sempre, agora mudava o tom, parecia diferente. "Não tenhas medo, menina, tudo é amor", a voz dizia... "mas eu tenho saudade dos pedaços que ficam pelo caminho", respondia ela, pequena, de olhos castanhos. "Então sinta. Quer dizer que você viveu, senão não bateria forte. Você tem capacidade de amar o mundo todo".
"Mas tenho medo de gente, tenho medo da solidão". A voz mais uma vez insistia... "Todo mundo nasce só. Nesse caminho você vai encontrar felizes e duros momentos divididos. Vai encontrar a mim, que estou sempre aqui com você, mesmo que vá sempre mudar. Só não tenha medo disso, não tem porque temer. Tem alguém muito mais superior que nos acompanha". "E... você já deu o primeiro passo. Agora se joga, não tem como voltar atrás. Se atira, você é livre!". 
A voz foi embora, e ela se sentiu tranquila. Depois de pegar no sono, em meio a um sonho, viu que a voz era uma amiga. A voz era ela mesma. Que bom que era uma amiga.

Um comentário:

Raphael Rocha Lopes disse...

Muito bom. Gostinho de quero mais!